quarta-feira, 16 de abril de 2008

Existe de Fato uma guerra contra as drogas?

Esta é uma pergunta muito importante; requer uma profunda análise dos inúmeros fatos internacionalmente conhecidos. No entanto, há tão sérias e detalhadas declarações em contrário a verdadeira existência de uma guerra contra as drogas que - de fato -, é muito dificil sequer ordenar uma linha de pensamento que acompanhe toda a evolução da questionada "guerra contra as drogas".

Os meados da década de 1960 foram marcados pelo auge da indústra da heroína européia e logo depois houve um repentino declínio. Na década de 1960 o governo italiano lançou uma operação para quebrar a Máfia siciliana e em 1967 o governo turco anunciou que estava descontinuando suas plantações de sementes de papoulas no platô da Anatólia para impedir que os laboratórios de heróina, em Marselha, tivessem acesso a sua mais importante fonte de material cru. Mas os comerciantes e traficantes mudaram de fontes de suprimento para o sudeste asiático, onde o excesso de produção de ópio e a sistemática corrupção do governo criavam o clima ideal para uma produção em grande escala de heróina.

Mas ainda na década de 1950 a CIA tinha apoiado a formação do exército guerrilheiro na então Burma [atual Miamar], um grupo que ainda controla mais da metade do suprimento de heroína mudial, e no Laos, onde a CIA criou um exército mercenário cujo comandante fabricava heroína para vender, entre outos clientes, aos soldados americanos no Vietnã do Sul, cuja guerra começou em 1965.

Segundo a própria CIA, as sete mais importantes refinarias de heroína estavam em áreas vizinhas de Tachilek, Burma; Ban Houei Sai e Nam Keung no Laos; e Mae Salong na Tailândia.
O que a CIA não mencionou é que todas estas áreas eram ocupadas por organizações paramilitares apoiada por ela própria, a CIA.

No Miamar, havia uma união de negócios de exploração de petróleo entre o regime narco militar e a americana Unocal. Esta união tinha o nome de MOGE. Há alegações de que MOGE está sendo usada pelo regime fascista para lavar seu dinheiro advindo dos lucros com as drogas.

Segundo o agente do DEA, Michael Levine, que servia na Tailândia durante a guerra do Vietnã, a heroína era embarcada nos cadáveres de combatentes mortos até a Tailândia, de onde seguia para os EUA. Segundo este mesmo agente, quem coordenava toda esta operação era a própria CIA, que trabalhava paramilitarmente no Vietnã e secretamente no Laos e no Cambodia.

Ainda segundo Michael Levine, quando servia como agente senior do DEA para a América do Sul, também a CIA aliou-se ao maior cartel de cocaína, conhecido como "La Organizacion", que tinha fortes laços de envolvimento com poderosas famílias, políticos e militares bolivianos, para derrubar o governo boliviano que era então legitimamente anti-drogas. Com a ajuda da CIA, justamente os lideres de "La Corporacion", que eram também membros da Liga Internacional Anticomunista, tomaram o poder e se tornaram o governo da Revolução Boliviana. Levine ainda refere que 'La CORPORACION" tinha três braços, o primeiro na Bolívia de onde provinha a droga, o segundo no Panamá, onde era feita a lavagem do dinheiro das drogas e por último, o terceiro, no México, onde autoridades e militares recebiam a cocaína e a atravessavam por barcos para os EUA.

Segundo Gary Webb, durante o apoio dos EUA ao movimento dos contra na Nicarágua, a CIA utilizou o dinheiro advindo da venda das drogas para armar os contra guerrilheiros. Ele ressalta que foi uma aliança muito bizarra: unir-se aos cartéis Colombianos de drogas e facilitar a entrada e a venda da cocaína dentro da América, com a finalidade única de combater o governo revolucionário socialista da Nicarágua, por meio dos guerilheiros e esquadrões da morte armados pelo poder do dinheiro ganho com a cocaina.

Os registros das Cortes Americanas mostram que o dinheiro era usado para comprar equipamentos para a guerrilha chamada Força Democrática Nicaraguense [FDN].Esta mesma Força Democrática Nicaraguense era comandanda em Honduras por um agente da CIA chamado Mr. Bermudez. Um agente do DEA, chamado Blandon, que esteve trabalhando para a operação de drogas da FDN em 1981, testemunhou que o anel das drogas vendia mais de uma tonelada de cocaína mensalmente nos EUA. Ele trabalhava para o DEA e assim testemunhou tudo isto diante da Corte e foi o DEA que conseguiu sua libertação da prisão em 1994, e recebeu do DEA mais de US$ 166.000. Mas o chefe de Blandon nesta operação, Juan Norwin Meneses Cantarero, nunca passou nem um dia em uma prisão americana.

Agentes de quatro organizações - DEA, Aduana dos EUA, Departamento do Xerife do Condado de Los Angeles e o Escritório de combate aos narcóticos da Califórnia - tem se queixado que as investigações foram embaraçadas pela CIA sob alegações de interesses de segurança nacional. Tudo isto veio a tona durante o sensacional julgamento de Meneses na Nicarágua em 1992, por tráfico de cocaína, após a apreensão de um embarque de 750 quilos vindos dos cartéis colmbianos. Mas há também fortes evidências que a Força Aérea de El Salvador estava profundamente envolvida com os vôos da cocaína, os contras e o comerciante de drogas fornecedor da cocaína para Norwin Meneses, Oscar Danilo Blandon Reyes.

Registros da Casa Branca mostram que logo depois do encontro de Blanton com Bermudez, o então Presidente Reagan deu permissão para a CIA começar operações secretas paramilitares contra o governo sandinista da Nicarágua, mas em sua ordem secreta de dezembro de 1981, Reagan só autorizava que a CIA gastasse US$19.9 milhões neste projeto, um valor que a CIA sabia ser insuficiente.

Durante todo período da operação da CIA no auxílio dos contra da Nicarágua, Manuel Noriega era sabidamente estar envolvido com o tráfico de drogas. E por mais de uma década, ele foi altamente pago como um colaborador da CIA a despeito das autoridades do DEA já em 1971 tivessem conhecimento que ele estava pesadamente envolvido com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ele recebia uma média de US$200.000 por ano. Levine relata que quando estava em sua Operação com "La Corporacion", ele foi ao Panamá para se encontrar com Ramberto Rodriquez, um homem estreitamente ligado a Noriega, para pagar a ele nossos primeiros cinco milhões de drogas. Ramberto Rodriquez era o principal lavador de dinheiro no Panamá.

Na década de 1980 e início da década de 199O, a CIA trabalhou para manter no poder a liderança politica e militar corruptas do Haiti. Aqui também a CIA ficou cega para o tráfico de drogas de seus protegidos.

A este mesmo tempo, os envolvidos na operação das drogas, reconheciam que a cocaína era um produto caro demais para alcançar as camadas mais pobres da população e os comerciantes estavam tentando encontrar uma forma de "baratear" seu produto, assim aumentando o consumo. Daí, nasceu o crack, em 1974, na área da Baía de San Francisco. Desta forma, uma compra de US$65 milhões se tornava uma venda de US$130 milhões por dia.

Porém, ainda há mais. Durante o caso Irã Contra, em 1994, o então congressista Dick Cheney foi um feroz defensor do Coronel Oliver North. Tudo isto a despeito do fato de que North tinha mentido a Cheney em um encontro particular realizado em 1986, na Casa Branca. Os próprios diários de Oliver North e as subsequentes investigações do Inspetor Geral da CIA o tem irrevogavelmente ligado diretamente ao tráfico de cocaína durante os anos de 1980 e a abertura de conta bancária para uma firma que movimentava quatro toneladas de cocaína por mês. Oliver North foi banido da Costa Rica por tráfico de drogas. Como Secretário de Defesa de Bush pai, durante a Operação Tempestade no Deserto (1990-91), Cheney também dirigiu operações especiais que envolviam os rebeldes curdos no norte do Irã. A fonte primária de renda dos curdos, por mais de cinquenta anos, tem sido o contrabando de heroína do Afeganistão e Paquistão através do Irã, Iraque e Turquia.

De 1994 a 1999, durante a intervenção militar nos Balcãs, onde o Exército de Libertação do Kosovo controla 70% do contrabando da heroína que entra na Europa. A companhia Brown and Root de Cheney apoiou que as operações continuassem na Bósnia, Kosovo e Macedonia até hoje.

A ClA apoiou os rebeldes Mujahedeen [que em 2001 faziam parte da Aliança do Norte, combatendo o Talibã que então se tornou o núcleo do governo afegão depois do ataque americano em 2001]. Estes Mujahedeen estavam pesadamente envolvidos com o tráfico de drogas durante o tempo da guerra com a Rússia, onde esta apoiava o governo em seus planos de reforma da sociedade extremamente retrógada afegã. O principal cliente da CIA era Gulbuddin Hekmatyar, um dos principais senhores das drogas e também principal refinador de heroína. A CIA fornecia caminhões e mulas que transportavam as armas para o Afeganistão e voltavam então para a fronteira afegã-paquistanesa transportando o ópio aos laboratórios. Esta ação fornecia mais da metade da heroína consumida nos próprio EUA e 3/4 da que era usada na Europa Ocidental. Agentes americanos admitiram em 1990 que fracassaram em investigar ou agir contra a operação de drogas porque não queriam ofender seus aliados afegãos e paquistaneses.

Agora, muito recentemente vemos o apoio incontestável que o Presidente Bush junior está dando ao governo colombiano, em uma época onde ressoam internacionalmente os escândalos da ligação de membros do governo atual com esquadrões da morte e o narcvo tráfico. Para saber mais leia a matéria Colombia

A culpa sempre recai na CIA, mas frequentemente nos afastamos de algo muito mais importante que é o fato que o conluio com os narcotraficantes realmente é uma questão de política e vai muito além da corrupção. Realmente, tudo isto envolve uma política de narco colonialismo, onde os EUA procuram expandir sua influência tão longe quanto puderem. O governo dos EUA tem outros acordos, tais como interesses bancários, ou no caso do México, o NAFTA.

E então, retornamos a pergunta: Existe de fato uma guerra contra as drogas?...

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